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Aceleração da transformação digital no pós-pandemia é caminho sem volta

Em setores tradicionalmente pressionados por margens estreitas e controle de custos, empresas devem achar um ponto de equilíbrio entre as demandas imediatas e de longo prazo

A pandemia da Covid-19 acabou por transformar o mercado como um todo. Se alguns setores já viviam intensa pressão por ganho de eficiência e redução de custos, com todas as mudanças impostas pela crise sanitária, isso se tornou mais evidente e ganhou novas camadas, trazendo aceleração, também, ao processo de transformação digital.

Varejo, indústria, utilities e demais setores de serviços, como aviação comercial, são só alguns dos exemplos entre mercados que tradicionalmente trabalham com margens estreitas, e que precisaram se transformar nessa fase – seja para se manterem vivos no mercado, ou mesmo para que pudessem atender às novas demandas.

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Para Severiano Leão Macedo, especialista em IoT da CISCO, os setores de produção industrial e utilities elétricas estão igualmente desafiados em aspectos que impactam a lucratividade das empresas. “Aumentar eficiência significa aumentar produtividade com maior segurança e reduzindo custos. Trata-se de fazer mais e melhor com menos recursos e para isso é preciso conseguir um controle fino de todas as variáveis de processo em todas as etapas da operação. Estas empresas focam cada vez mais em aumento da disponibilidade, que significa manter e as máquinas e equipamentos operando sem interrupções indesejadas. Daí vem a importância de manutenções inteligentes (preditivas) e do investimento em IOT, fundamental para monitorar a saúde dos ativos das linhas de produção e redes operativas”.

O investimento em tecnologias digitais está ganhando cada vez mais força entre as empresas brasileiras. De acordo com pesquisa global da consultoria KPMG, 71% das companhias entrevistadas aceleraram suas estratégias de transformação digital por causa da pandemia, enquanto 67% aumentaram seus orçamentos para esse fim de forma significativa ou moderada.

Para Severiano, as empresas precisam planejar bem antes de fazer esse tipo de investimento, achando um ponto de equilíbrio entre as demandas imediatas e as de longo prazo. Além disso, devem ter um entendimento ampliado sobre as tecnologias e aplicações envolvidas, de forma que sejam convergentes, maximizando o impacto nos negócios e reduzindo os custos de operação e manutenção. Principalmente quando falamos em tecnologias wireless, em que o espectro de frequência muitas vezes é único e muito limitado.

“Quando as empresas começam a olhar somente para a semana seguinte, e não para o todo, não há estratégia. Assim, começam a ser criados verdadeiros “Frankensteins Industriais”: primeiro é comprada uma tecnologia, depois outra é trazida para resolver problemas pontuais. No final, a empresa acaba com um parque tecnológico sem sinergia e difícil de operar. É aí que entra o papel importante de um CTO ou CDO. Essas pessoas não estão diretamente ligadas à produção da empresa, mas são as responsáveis diretas pela jornada de transformação digital. São elas que devem conversar com diversas áreas para entender quais investimentos corroboram para o mesmo objetivo organizacional”.

Sobre a motivação para os investimentos em transformação digital, o estudo da KPMG aponta que 62% dos executivos brasileiros citaram a sobrevivência da empresa como ponto principal, enquanto 38% justificam a aplicação da digitalização como estratégia de longo prazo.

“A rotina das lideranças de TI está cada vez mais desafiadora, os prazos dos projetos encurtaram significativamente e a visão de administração de custos passou a uma visão de retorno de investimento. O CIO sempre teve que administrar um orçamento anual limitado e sempre foi pressionado a fazer mais com menos. Agora, as empresas começam a perceber que para sobreviver elas precisam investir em tecnologia. Estão derrubando muros, promovendo treinamentos, transformando digitalmente não apenas a tecnologia, mas também as pessoas envolvidas nos processos. A TI está cada vez mais na área produtiva e menos nos escritórios, e está deixando de ser vista como custo para as empresas”, analisa o especialista da Cisco.

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