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Como lidar com equipes que resistem às novas tecnologias?

Lideranças devem engajar a equipe para que usuários entendam a tecnologia como ferramenta de colaboração, e não de substituição da mão de obra

Para muitas empresas, sobreviver às mudanças impostas pela pandemia da Covid-19 só foi possível graças às tecnologias digitais. Uma pesquisa global da consultoria KPMG aponta que 71% das companhias entrevistadas aceleraram suas estratégias de transformação digital por causa da pandemia. Além disso, 67% delas aumentaram seus orçamentos para esse objetivo de forma significativa ou moderada.

No entanto, a transição do plano tecnológico não necessariamente reflete a cultura de cada empresa e a forma como os colaboradores encaram a chegada de novos elementos no dia a dia de trabalho. Gisele Braga, gerente de transformação digital da 2S, ressalta a complexidade de aplicar novas ideias e novos processos, principalmente nas indústrias mais pesadas, como óleo & gás, mineração, manufatura e agro.

“Quando estamos em contato com as empresas, ouvimos muitas queixas em relação à transformação digital dentro da indústria. Os engenheiros e profissionais sêniores têm sua própria metodologia e não entendem a necessidade de mudar. Eles executam suas tarefas muito bem, mas a insegurança do novo se torna a maior barreira para que consigam aumentar a eficiência dos resultados. Os colaboradores precisam entender que o conhecimento e a experiência deles, a maior força da empresa frente ao mercado, podem ser melhor aplicados com recursos de apoio, como a tecnologia. Sempre que conseguirmos vencer a barreira da insegurança inserindo a tecnologia no processo, os profissionais crescem e, consequentemente, a companhia tem sucesso.”, conta a especialista.

Gisele acredita ainda que quando essa iniciativa é abraçada pelos líderes fica mais fácil a compreensão do time sobre o que a tecnologia permite fazer com redução de tempo e custos, e esses benefícios refletem na valorização do profissional.

“Um exemplo operacional é o monitoramento de uma linha de produção. Normalmente o encarregado e os operadores da linha conhecem tudo sobre as máquinas, mas quando ocorre uma falha em um determinado turno, a análise é feita por um método empírico de tentativa e erro, e isso pode fazer a linha ficar parada por muito tempo. E como os registros dos parâmetros usados no restabelecimento da máquina ainda são feitos manualmente e com um certo atraso, pode ser que, numa mudança de turno, o novo encarregado tenha o mesmo trabalho, caso a falha volte a acontecer. Com a ajuda da tecnologia, todos esses processos se tornam muito mais eficientes, entregando uma operação mais rápida e reduzindo perdas, além de reduzir riscos e aumentar a segurança dos funcionários.

Para Renato Carneiro, presidente da 2S, outro fator potencializa a resistência dos colaboradores: o medo da substituição. O executivo diz que a falta de entendimento inicial sobre a solução faz com que muitos tenham medo de perder seus empregos, caso suas tarefas tenham ajuda ou sejam executadas por mecanismos de inteligência artificial.

“Mas não são todas as empresas que passam por isso. Empresas que têm o hábito de enfatizar a cultura do pertencer aos seus colaboradores e de quão importante é o conhecimento que cada um possui apresentam menos resistências e aproveitam muito mais os benefícios que a transformação digital entrega. Se o colaborador entende que a tecnologia está agindo a seu favor tudo fica mais fácil, e ele começa a perceber os benefícios da transformação digital para a sua saúde, para a melhoria do equilíbrio entre sua vida pessoal e profissional, e trabalha mais feliz. O ponto principal é mostrar que a tecnologia vem como apoio e colaboração, e não como concorrência.”

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