Everything as a service libera gestão de TI para a inovação

Modelo de adoção de tecnologia como assinatura cresce e permite que profissionais de TI foquem no negócio, tornando o departamento estratégico para as empresas

Do transporte individual ao turismo, nossa sociedade está substituindo a compra de produtos pela de serviços. No cerne dessa transformação, o consumidor valoriza mais a experiência que o bem em si. A mudança do perfil do consumo e as tendências relacionadas a esse movimento colocam a gestão de TI entre as discussões mais críticas do momento e como um fator que favorece a inovação.

Para entender o porquê da relação entre as tendências de compra e a gestão da TI, é preciso, antes, compreender a transformação do mercado de tecnologia. Na busca das empresas, principalmente, por formas mais baratas e eficientes de investir em soluções tecnológicas, surgiram algumas coleções de letrinhas que já são bem conhecidas no setor: IaaS, SaaS, PaaS, DaaS – respectivamente, infraestrutura como serviço, software como serviço, plataforma como serviço e desktop como serviço. De maneira bem simples, as siglas dizem que tudo virou serviço.

Vivemos, justamente, a era do XaaS, ou tudo como serviço. O modelo descreve serviços sob demanda que atingem escala horizontalmente nos negócios e avança para dominar o mercado, ao menos nos Estados Unidos, que é um termômetro tecnológico para o restante do mundo. Por lá, 71% dos 1.170 profissionais de TI e de linha de negócio ouvidos pela Deloitte em grandes empresas do país disseram que o XaaS representa mais da metade de sua TI corporativa.

De acordo com Pedro Mariano Bicego, diretor administrativo e financeiro da 2S, esse movimento teve início com a expansão do software como serviço como uma estratégia para fidelizar clientes. Com o desenvolvimento da computação em nuvem, o SaaS foi ampliado para as demais soluções até atingir o conceito do XaaS.

Para a gestão de TI, o primeiro impacto desse modelo de adoção de tecnologia é o mais óbvio: o financeiro. “Não é mais necessário fazer um grande investimento inicial para compra e implantação de um hardware, software, plataforma, o que for. O modelo dilui esse montante ao longo de todo o período de uso”, destaca.

Do ponto de vista contábil, as soluções de TI deixam de ser ativos imobilizados da empresa e, portanto, não incidem mais como Capex, mas sim como Opex. Nessa mudança, as despesas operacionais são completamente dedutíveis no decorrer do ano em que são realizadas, ao contrário das despesas de capital, que são frequentemente amortizadas em um período entre três a cinco anos ou até mais.

Mas Bicego vai além: o modelo traz, também, impacto para toda a operação de TI. Isso porque antes era necessário contar com uma equipe toda dedicada a servidores, backup, atualização e manutenção das soluções. “Quando você coloca tudo isso na nuvem e adquire como serviço, você tira a tarefa mecanizada desses profissionais e permite que eles tenham tempo para pensar de forma estratégica, uma exigência cada vez maior em um mercado que anseia por inovação e transformação digital”, complementa Bicego.

O diretor da 2S cita como exemplo uma solução de colaboração que inclui plataformas de comunicação e videoconferência. Pode-se optar pela aquisição de toda a infraestrutura para suportar as soluções, porém, o investimento é alto e a necessidade de manutenção, constante. Com a solução na nuvem, paga-se por assinatura e a gestão de TI pode colocar seu foco em como otimizar o negócio. Liberada de manter toda a operação em funcionamento, a TI pode ajudar os gestores na busca por inovações que resolvam dores importantes da empresa. O CIO deixa de ser uma figura isolada e passa a ocupar um lugar de destaque no board da organização.

No futuro, Bicego acredita que muitas soluções devem operar integralmente na nuvem. A segurança da informação, porém, ainda é um tema sensível – em especial após a aprovação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) em 2018, na esteira do europeu Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (General Data Protection Regulation – GDPR). “É uma questão do projeto. Se ele é bom e o nível de segurança é alto, funciona. Mas o investimento é maior. E é fato que nem todas as soluções na nuvem têm os níveis de segurança necessários para determinadas empresas”.

O especialista destaca que é preciso avaliar caso a caso, mas que a tendência é que as próprias empresas fornecedoras da solução resolvam o impasse ampliando seus níveis de segurança. “É questão de tempo”, garante.

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