Infraestrutura hiperconvergente: por que investir nisso?

Combinando storage, processamento e networking, hiperconvergência ganha espaço ao garantir mais agilidade, menos complexidade e dar fôlego para novas aplicações, principalmente na nuvem

 

A combinação de armazenamento, processamento e redes em uma única plataforma, construída para que esses três elementos trabalhem em sintonia e sejam bem aproveitados, tem um nome: infraestrutura hiperconvergente, ou somente hiperconvergência. Na prática, a solução envolve um hipervisor – monitor de máquinas virtuais – embarcado para computação virtualizada, mais storage definido por software e networking virtualizado. Em outras palavras, trata-se de um framework de TI que promete simplificar a vida dos gestores de tecnologia para que se concentrem no que verdadeiramente interessa à organização: o core business.

 

Já solidificadas no mercado mundial, as soluções de hiperconvergência devem movimentar quase US$ 23 bilhões em 2023, segundo um estudo de 2018 da Research and Markets. Mas, em solo nacional, a adoção dessa tendência ocorre a um ritmo mais lento, tendo como principais barreiras o investimento legado das empresas em tecnologia e a falta de cultura de inovação em infraestrutura.

 

Ao mesmo tempo, os investimentos em infraestrutura de TI no País estão crescendo novamente. Após anos de queda, os gastos com servidores, armazenamento e networking combinados, segundo a IDC, chegaram a US$ 393,6 milhões no segundo trimestre de 2018, ou 41% mais do que o registrado no mesmo período em 2017. Em 2018, o mesmo estudo prevê vendas de US$ 1,376 bilhão, ou 8% mais do que os US$ 1,271 bilhão registrados no ano anterior.

 

Se em uma estrutura convencional, ou simplesmente convergente, os elementos estão separados em silos, exigindo equipes e infraestruturas de gerenciamento distintas para atender as demandas de negócio, na hiperconvergência a solução é completa. Segundo Rafael Guerra, engenheiro de sistemas de data center e redes corporativas da Cisco, os grandes ganhos que a hiperconvergência traz para ambientes de data center são mais agilidade e facilidade operacional. “Os componentes gerenciados e administrados em uma única interface facilitam e aceleram enormemente o trabalho diário do gestor de TI”, diz ele.

 

As soluções de infraestrutura convergente se tornam mais comuns à medida que as aplicações de negócio exigem um desenvolvimento mais ágil, e isso só é possível com uma infraestrutura adequada e que, claro, suporte nuvem. “Às vezes, conseguir uma máquina virtual pode demorar de semanas a meses, dependendo do tamanho da empresa, pois é preciso alinhar várias equipes para provisionar os elementos”, explica Rafael Nunes, engenheiro de sistemas da 2S e também especialista no tema. “Já com a hiperconvergência, não é necessário ter equipes tão grandes e a TI pode estar cada vez mais focada no negócio”.

 

Segundo Rafael Guerra, o mercado de soluções hiperconvergentes vai continuar evoluindo por conta da flexibilidade e da agilidade que trazem, e pela criticidade para algumas aplicações, particularmente as em nuvem. No entanto, muitas empresas ainda pretendem fazer upgrades em ambientes já estabelecidos. “[A migração] depende da necessidade e do dia a dia do cliente”, diz o especialista.

 

Outra vantagem da hiperconvergência é a velocidade de implementação. De acordo com o especialista da 2S, é possível colocar um sistema hiperconvergente no ar em menos de uma hora. Antes, com a infraestrutura tradicional, era preciso fazer uma configuração completa de rede, instalar uma solução de gerenciamento de storage, entre outras ações. “Uma implantação que demoraria três semanas cai para no máximo uma, isso considerando que ainda queremos ensinar ao cliente como o sistema funciona. Nosso tempo de implantação diminui, enquanto o cliente reduz custos”, explica. “A complexidade é reduzida de ambos os lados”.