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‘Líderes que transformam’ | episódio 8: Antonio Carlos Pina: “O bom líder precisa sentar junto e remar com toda a equipe”

transformação digital, liderança em TI, carreira de CIO, soft skills

CTO da Quod, Pina fala sobre os desafios da gestão e a importância das soft skills ao lidar com times de TI

O interesse juvenil por videogame moveu a curiosidade pelos códigos e, ainda na adolescência, veio o primeiro estágio em tecnologia. Antonio Carlos Pina lembra com carinho das suas primeiras experiências com TI e de todo o caminho que trilhou até se tornar CTO da Quod.

O executivo fala sobre a experiência de gerir equipes, sobre o impacto da pandemia na gestão do time e, também, sobre a importância das soft skills e do investimento de tempo livre em seus hobbies para que possa desenvolver seu melhor papel como líder de TI. Abaixo, você confere os insights desse bate-papo com Wagner Hilário, head de projetos da agência essense.

Pina, antes de falar do seu trabalho na Quod, queria que você dividisse com a gente um pouco da sua história. Hoje, ousaria dizer que a TI atua quase como um sistema nervoso da maioria dos negócios, mas quando você começou nesse mundo da tecnologia não era tudo como agora. O que te motivou? Como foi o começo? Em algum momento você imaginou que a TI teria o protagonismo que tem hoje no mundo dos negócios?

Antonio Carlos Pina: Eu tive um começo bastante interessante, sou de família de classe média, do subúrbio do Rio de Janeiro, de um bairro chamado Abolição. Tive a infância de uma criança normal que brincava na rua, até começar a moda dos videogames. Nessa movimentação, eu queria um videogame, mas não podia ter. Até que uma loja começou a vender um computador chamado PK 82, que você podia ligar à televisão. Meus pais deram um jeito de comprar em muitas prestações e o meu começo foi assim: digitando os códigos dos joguinhos para poder usar. E onde isso me encaixa profissionalmente? Na época, eu já tinha passado para a escola técnica para estudar eletrônica e, no meu primeiro ano, um grupo de engenheiros da Petrobras apareceu procurando um digitador. Assim começou, e eu sou profundamente grato por essa oportunidade que tornou todo o resto possível. 

Você ocupou cargos técnicos no começo da sua carreira e passou por várias experiências. Você se imaginava vivendo a história profissional que vive hoje, ocupando a função que ocupa hoje ou isso nem passava pela sua cabeça? 

Antonio Carlos Pina: Eu acho que eu fui levado a isso por dois motivos principais. Nesse meu primeiro estágio, que acabou se tornando o meu primeiro trabalho e que durou quatro anos, eu tinha o objetivo de ganhar dinheiro muito rápido e trazer mais renda para a minha família. Então, pude observar de perto pessoas muito sêniores realmente sentados e montando uma empresa. Ali me surgiu a ideia de montar uma empresa minha, algo que fui fazer só depois. 

Abrir uma empresa te obriga a trabalhar perto do que as pessoas chamam de área de negócios. Você dorme e acorda pensando em como vai pagar as contas. Ali, foi um start, a oportunidade de ver tanta gente competente atuando e poder absorver isso. Esse foi um primeiro passo, mas gestão você aprende com a vida. Eu já cometi grandes erros com as pessoas de forma geral. Gerir é um skill que você desenvolve ao longo do tempo. O líder precisa sentar do lado, remar junto e praticamente trabalhar para os membros da equipe dele.

Você ainda tem essa empresa ou o mundo executivo o atraiu novamente?

Antonio Carlos Pina: Minha empresa era um provedor de internet, chegamos a ser a sétima maior do Brasil atuando só no Rio de Janeiro. Até o lançamento da internet gratuita, que trouxe um grande impacto para o nosso negócio. Quando acontecem essas coisas, a gente tem que se transformar. 

Fui para uma outra empresa, como diretor de operações. Foi uma história superbonita, impactamos bastante o mercado de data center. Foi uma jornada muito interessante. 

Minha história com a Quod começa em 2016, até mesmo antes de ela se chamar Quod. Isso junta todas as etapas da minha vida, que vem desde o desenvolvedor, parte de infraestrutura, depois para o mundo de data center até chegar na Quod, onde a gente tem o desafio do Big Data, do machine learning.

Quando eu comecei, a TI era muito simples e você podia saber tudo. Se você conhecesse aquele mundinho de 20 componentes, você sabia tudo. Hoje, isso é impossível, ainda mais com a profundidade necessária para tomar decisões. Quem ganha com isso tudo é o time, porque cada um tem um conhecimento, tem suas experiências, e podemos juntar tudo isso num só caldeirão. 

Bom, acho que a gente já pode vir mais para o presente e falar da Quod, que é uma empresa cujo propósito é bem contemporâneo, né? Estamos falando de uma empresa de tecnologia na essência, envolvendo obtenção e análise de dados relacionados ao crédito. Você chegou à Quod em 2017… Conta pra gente como foi essa chegada e qual era, naquele momento, o seu principal desafio?

Antonio Carlos Pina: A Quod tem uma história muito bacana e foi o que me atraiu de imediato. O crédito e os juros no Brasil sempre foram muito altos, mas, se você pegar de 2017 para cá, vai ver uma grande redução dos juros de forma geral e por vários motivos, mas um desses motivos tem sido o cadastro positivo, que consegue analisar se você é ou não um bom pagador, moldando, a partir daí, o que chamamos de score de crédito. Um dos papéis da Quod, e de outros bureaus [de crédito], é abastecer o cadastro positivo com essas informações. Com mais pessoas identificadas como boas pagadoras, mais crédito no mercado e menores serão os juros. A Quod pode se orgulhar de ser o primeiro bureau que permitiu o crescimento do crédito no Brasil. Nós crescemos junto com o crescimento do crédito no país. 

Pina, uma pergunta que vai na linha do gestor, considerando seu trabalho na Quod. Com a pandemia, como foi gerir a equipe? As ferramentas de colaboração resolveram em grande medida ou a adaptação foi complicada?

Antonio Carlos Pina: Se estivéssemos em planejamento estratégico, mudança de business, certamente teríamos sido muito mais impactados, mas não tivemos grandes complicações porque estávamos no terreno da execução e com as tarefas muito claras para todo mundo. A tecnologia já nos ajudava há muito tempo e não foi preciso grande esforço de adaptação às ferramentas de colaboração. Precisamos, isso sim, redobrar a atenção aos dados. Temos dados protegidos por sigilo bancário, então, criamos camadas extras de segurança para proteger os times que estavam trabalhando remotamente. 

Pina, há alguma atividade, um hobby, do qual você não abre mão e que, a seu ver, contribui também para o profissional que você é?

Antonio Carlos Pina: Eu sou pianista, inclusive formado. Atualmente, tenho feito muita corrida também. Eu gosto de academia, gosto de malhar, faço crossfit. Eu acho que essas atividades têm duas características principais, que são muito boas. 

O piano é uma atividade bastante introspectiva, é você com você mesmo, e você está se ouvindo. Também sou formado em improvisação, que é o tipo de coisa que você tem que se conectar com você. A mesma coisa acontece na corrida, a pessoa que está correndo está com a cabeça fluindo. E esse é um ponto que é muito subestimado: a maioria dos nossos problemas de trabalho são resolvidos num processo inconsciente que depois emerge para a consciência. O nosso cérebro tem inúmeros processos funcionando em background e filtrando insights. Sempre falo isso para o pessoal do meu time, em caso de problemas, pare um pouco, faça outra coisa e a resposta vai vir. 

O segundo ponto é que a gente tem que cuidar da saúde: corpo são e mente sã. Somos um sistema integrado e a atividade física é importante, nem que seja uma caminhada tranquila. O corpo humano é uma máquina incrível, mas precisa ser desafiada para evoluir. 

No primeiro semestre desse ano eu comecei a estudar chinês, sem um motivo prático, mas porque eu acho importante, inclusive para a mente. Eu parei, mas logo vou voltar. O equilíbrio é muito importante para essa conexão comigo mesmo. 

Para fechar, quais foram, ao longo dessa impressionante carreira, suas maiores conquistas como líder de TI? Quais trabalhos fazem você olhar para trás e ter orgulho da sua trajetória profissional?

Antonio Carlos Pina: Cada etapa da minha vida eu tive um grande apreço, mas se eu pudesse destacar, falaria do meu período como estagiário, aos 15 anos. Ali foi praticamente um curso de quatro anos de programação de baixo nível, como a gente chama, e que guardo com muito apreço. Foi ali que aprendi sobre tecnologias sofisticadas, é uma época que guardo com muito carinho porque, ali, minha base foi construída. 

Ouça a entrevista na íntegra aqui

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