Multicloud: visibilidade exige recursos de gestão e orquestração

Empresas apostam em software que dá mais controle aos gestores de TI sobre múltiplas nuvens, tendência cada vez mais observada nas organizações

Com a maturidade da adoção da computação em nuvem, surgem novos desafios para as companhias que desejam aproveitar as funcionalidades que a tecnologia oferece e, ao mesmo tempo, evitar armadilhas e gastos desnecessários. Afinal, multicloud é, cada vez mais, uma realidade para muitas organizações. Não é raro encontrar diferentes fornecedores de software (SaaS), plataformas (PaaS) ou infraestrutura (IaaS) como serviços contratados pelo mesmo departamento de TI, por exemplo. Mas como controlar ambientes de nuvem múltipla e simplificar a gestão?

Segundo Rafael Nunes, engenheiro de sistemas da 2S, multicloud nada mais é do que essa diversidade. É difícil ter uma empresa com 100% dos serviços hospedados em um data center próprio. Alguma coisa já foi contratada fora de casa. A companhia pode não perceber ainda, mas é multicloud.

Múltiplas nuvens potencializam as vantagens reconhecidas da tecnologia. A nuvem pode ser mais barata que um data center, economia que tende a ser ainda maior quando se comparam serviços semelhantes oferecidos por diferentes provedores.

Não por acaso se espera que o mercado global de serviços de nuvem pública cresça 17,3% em 2019, alcançando US$ 206,2 bilhões, segundo o Gartner. Infraestrutura como serviço é a modalidade que mais deve avançar (27,6%), impulsionada pelo aumento do número de fornecedores – segundo a mesma consultoria, serão três vezes mais empresas vendendo serviços gerenciados de nuvem em 2020 do que em 2018.

Embora parecido com o que o mercado convencional chama de nuvem híbrida, o termo multicloud nem sempre inclui uma nuvem privada. Há empresas, principalmente startups, que nascem contratando tudo como serviço e sequer cogitam possuir um data center próprio. E há outras em que essas infraestruturas são indispensáveis.

Gestão

Multicloud não é um produto, mas sim um termo que designa uma tendência de consumo. A maioria das organizações que opera com várias nuvens prefere investir em orquestração, ou seja, em gestão dos recursos computacionais contratados.

Se a TI precisa criar uma máquina virtual para desenvolver uma aplicação, por exemplo, o software escolhe a “nuvem ideal” considerando os parâmetros necessários. Esses software de orquestração permitem criar e editar recursos de maneira mais dinâmica, fazendo uso tanto da nuvem privada como da pública.

Nunes lembra que há uma brincadeira no mundo da TI que diz ‘máquinas virtuais se reproduzem como coelhos’. Elas triplicam de quantidade facilmente. A falta de visibilidade do que está sendo consumido se torna, então, um grande desafio. O especialista destaca que é muito comum criar uma máquina para desenvolvimento e homologação e não deletá-la depois. O consumo só cresce, nunca diminui, pois falta uma análise do que precisa ser guardado ou jogado fora.

Em termos simples, a organização continua pagando por uma máquina virtual na nuvem que não é mais usada. Para resolver essa questão, alguns fabricantes apostam em soluções que otimizam a “dança das clouds”, como brinca Nunes. Elas gerenciam serviços contratados de modo a torná-los mais visíveis para evitar problemas com custos. São opções como  inteligência artificial, software de orquestração de cloud ou multicloud, que fazem a análise de custos de forma dinâmica. Elas avaliam se é melhor mudar um workload da AWS para a nuvem privada, por exemplo, ou mandar para Azure, pois o preço por CPU pode ser menor.

Estes software analisam nuvens públicas, privadas ou cenários híbridos. Eles avaliam indicadores financeiros, de workloads por período, performance, entre outros. A otimização de custos garante que não há desperdício ou compra de recursos computacionais desnecessários – o que evita que o cliente contrate recursos de forma errada – e com alto custo.