“O gargalo da transformação digital não é a tecnologia, é a criatividade”

Como tecnologias e conceitos como SD-WAN, indústria 4.0, redes intuitivas e realidade aumentada resolvem problemas de negócio? Saiba o que foi assunto na primeira edição do Cisco Connect no Brasil

É fim de ano. As tendências tecnológicas e as prioridades de investimento para o próximos ciclos começam a ser destaques nos sites de notícias. Ainda que essas previsões não nos ajudem a idealizar e desenhar a jornada da empresa digital, elas nos fazem pensar em como resolver desafios do negócios que nunca foram resolvidos.

“O gargalo da transformação digital não é a tecnologia, é a criatividade. E a motivação para que ela ocorra sempre vem da vontade de resolver grandes problemas.”, diz Renato Carneiro, presidente da 2S Inovações Tecnológicas. Em outubro, ele esteve na primeira edição brasileira do Cisco Connect, evento itinerante realizado pela Cisco para clientes, e trouxe de lá algumas percepções sobre o que as empresas entendem, hoje, por necessidade. Essa análise passa por tecnologias e conceitos que não apenas podem transformar negócios, mas também simplificar a TI, otimizar o ambiente e criar uma verdadeira cultura de tecnologia nas organizações. Veja a seguir:

SD-WAN

Ela pode não ser uma inovação que transforma o mundo, mas a SD-WAN, arquitetura de rede baseada em software, pode resolver grandes problemas de uma só vez: a segurança dos dados na nuvem; a melhor experiência do usuário; a agilidade para responder às necessidades do negócio; e a economia de recursos, é claro, já que permite uma redução dos investimentos em infraestrutura, centralizando e gerenciando as redes de longa distância a partir de um único ponto.

De acordo com Carneiro, um projeto de SD-WAN que tenha investimento de R$ 1 milhão pode poupar cerca R$ 3 milhões ainda no primeiro ano de implementação. Previsões da IDC apontam que, até 2019, 60% das grandes corporações estarão utilizando essa tecnologia. A consultoria também acredita que o mercado de SD-WAN já tenha superado a fase de tendência e entrado em um período de adoção concreta, com benefícios tangíveis. “Toda empresa que mantém uma atuação distribuída e regionalizada, com múltiplas unidades, tem interesse nesse tipo de solução”, diz o executivo.

Acesse o relatório completo da IDC: https://bit.ly/2qEjcax

Indústria 4.0

É quando a conectividade entra no mundo da automação que o conceito de indústria 4.0 começa a tomar forma. Também de acordo com a IDC, os gastos globais com IoT – um dos pilares tecnológicos da indústria digital, juntamente com big data – devem crescer 15,6% anualmente, entre 2015 e 2020, somando US$ 1,29 trilhão ao final desse período. Mas, quando localizamos a projeção, os desafios ficam evidentes. Um estudo recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com 2.225 empresas mostrou que 42% dessas organizações desconhecem a importância das tecnologias digitais para ter competitividade. E somente 13 delas já utilizam internet das coisas e big data.

“A automação existe há muito tempo, mas como algo proprietário. A integração entre tecnologia da informação e tecnologia de automação esbarra em protocolos diferentes, mexendo em processos que funcionam há 20, 30 anos. Então, se não houver uma maior colaboração, a mudança será demorada”, analisa Carneiro. “Mas, novamente, não se trata da solução em si, mas do problema que ela endereça. Precisamos ajudar a identificar o problema e entender como começar”.

Rede intuitiva (Intent Based Network)

De maneira simples, rede intuitiva é uma rede inteligente, em que o software embutido no switch orquestra e automatiza os sistemas, substituindo os processos tradicionais de gestão da TI – de reativos para proativos, de manuais para automáticos. Esse software aprende com os padrões da rede e se autoconfigura, identificando os usuários e que tipo de performance precisam. “A Cisco disseminou esse termo e está colocando essa funcionalidade em toda a camada de rede, desde o core, passando pela distribuição e chegando até o acesso. O interesse na rede intuitiva está em aumento de performance, segurança e na melhora considerável da experiência do usuário.”, explica Carneiro.

Realidade aumentada

Um exemplo pode revelar mais sobre um conceito complexo do que milhares de palavras que tentam explicá-lo. A aplicação da realidade aumentada nos negócios é um pouco assim: é preciso vê-la funcionando. Nesse contexto, um destaque durante o Cisco Connect foi a apresentação de uma solução desenvolvida pela Cisco em parceria com a 2S para apoiar os profissionais de empresas de energia que trabalham na rua, na manutenção da rede de abastecimento. E tudo começou com um problema: como integrar a atuação do técnico que trabalha no alto do poste de energia com o profissional que fica em terra, prestando suporte a ele? Surgiu, assim, um óculos que permite a visualização da mesma tela por ambos os funcionários, utilizando conectividade e IoT. No entanto, ainda havia um empecilho: o software da solução rodava em nuvem e, por isso, precisava de internet para funcionar. A solução foi rodar a aplicação localmente, em um roteador da Cisco, sem precisar de conexão.

“E essa aplicação pode funcionar em vários outros contextos. O principal ponto é fazer a tradução da TI para o negócio, e resolver todos os desafios, um a um.”, diz Carneiro.