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O que é o Projeto Sirius e como a 2S tem contribuído com ele?

conectividade, infraestrutura de TI, Projeto Sirius, CNPEM

Nesta entrevista exclusiva com Dennis Massarotto Campos, gerente de tecnologia da informação do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), você descobre como Cisco e 2S têm colaborado com um projeto da ciência brasileira cuja relevância vai muito além das nossas fronteiras

O Sirius, que integra a estrutura do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, no interior paulista, é considerado a maior e mais complexa infraestrutura de pesquisa já construída no País. O acelerador de partículas funciona como um grande microscópio que, ao revelar a estrutura molecular, atômica e eletrônica dos mais diversos materiais, permite pesquisas em praticamente qualquer área do conhecimento — incluindo estudos para identificar medicamentos eficientes para o tratamento do coronavírus. 

Para garantir o andamento dessas e de outras pesquisas, alta conectividade e disponibilidade de rede são requisitos básicos da infraestrutura de TI. Nesse cenário, a 2S foi selecionada em concorrência para atender a esses desafios, utilizando tecnologia da Cisco.

Assista aqui o vídeo-case do projeto.

O projeto, com duração aproximada de dois anos, consistiu na implementação de duas redes de computadores: uma exclusiva para conectar o acelerador de partículas aos computadores dos cientistas e a outra para o restante do tráfego de informações de todo o CNPEM. 

Neste bate-papo exclusivo, Dennis Massarotto Campos, gerente de tecnologia da informação do CNPEM, falou sobre o projeto e a importância do Sirius para o futuro das pesquisas no Brasil. 

1- Por que o projeto recebeu o nome de Sirius? 

Dennis Massarotto Campos: Tínhamos o costume de usar siglas de nomenclaturas complexas nas estruturas e laboratórios do CNPEM. A ideia foi mudar isso. Fizemos um concurso interno e o nome Sirius foi escolhido por ser a estrela mais brilhante vista a olho nu no hemisfério Sul. E as estações experimentais do Sirius estão recebendo nomes de árvores, como Mogno, Cedro, Manacá.

2-  O que o Projeto Sirius significa para a ciência brasileira?

Dennis Massarotto Campos: O Sirius é um acelerador de elétrons de quarta geração, enquanto o UVX, que foi desativado em 2019 e substituído pela nova tecnologia, é de segunda. Se compararmos os dois, o feixe de luz do UVX era equivalente ao de uma lanterna, enquanto o do Sirius é o de uma ponteira a laser, muito mais potente e preciso. A luz síncrotron gerada pelo Sirius permite ver a estrutura atômica da matéria, possibilitando pesquisas em diversos ramos da ciência, como saúde, petróleo e gás, agricultura, entre outros.

3- Qual necessidade motivou a busca pela parceria com a 2S? Que problemas vocês precisam resolver?

Dennis Massarotto Campos: O problema que tínhamos era a performance. A gente tinha no início um desenho com 12 estações experimentais, realizando pesquisas ao mesmo tempo, gerando uma quantidade muito grande de dados. Além disso, precisávamos de redundância, pois os experimentos não podem parar, afinal, uma paralisação pode representar perda da amostra e, consequentemente, de dinheiro — tanto do pesquisador quanto do CNPEM. A 2S construiu uma solução com uma topologia de alta velocidade e disponibilidade para atender esse requisito inicial, utilizando tecnologia de ponta da Cisco.

4- Qual a importância das redes de computadores criadas aqui para o funcionamento do acelerador de partículas e, consequentemente,  para as pesquisas desenvolvidas no laboratório?

Dennis Massarotto Campos: As pesquisas que vão acontecer no Sirius demandam alto desempenho e performance, com transmissão de dados mínima de 100 megabytes simultaneamente e esquema 24/07. As amostras que são trazidas para pesquisa têm um tempo de vida, ainda mais se forem biológicas. Ou seja, o experimento tem que rodar de forma completa para que os pesquisadores possam mensurar os resultados. Uma série de coisas tem de acontecer muito bem, incluindo, principalmente, a transmissão dos dados pré-processados nas estações experimentais até o data center. Não pode haver perda de dados, sob risco de inviabilizar a pesquisa.

5- Como é a rotina desses cientistas que desenvolvem pesquisas aqui e de que forma a TI está presente nela?

Dennis Massarotto Campos: Essa relação hoje é transparente, ou seja, a maioria dos serviços são automatizados. As estações experimentais são abertas ao público, mas o primeiro passo para usá-las é fazer a proposta de pesquisa, que hoje é realizada totalmente online. Os cientistas têm um portal do usuário para submeter suas propostas. Em seguida, elas são avaliadas sob o aspecto da viabilidade técnica, passando por comitês internos e externos, compostos por cientistas de todo o País. Se a proposta é aprovada, a resposta e o agendamento de uso dos laboratórios também são feitos online. Nosso objetivo, como TI, é que esse pesquisador tenha o mínimo possível de contato pessoalmente. Se isso acontece, significa que tudo está rodando bem. E quando o cientista chega aqui, encontra tudo pronto para operar o experimento dele, como perfis e logins de rede.

6- Como foi a parceria com a 2S na idealização e implementação desse projeto de redes?

Dennis Massarotto Campos: O que mais chamou a atenção foi que a 2S se comprometeu a nos apoiar mesmo diante de um prazo muito curto para submeter o projeto de instalação das redes e angariar recursos. Precisávamos de expertise para consolidar o projeto que tínhamos em mente. Dessa forma, a 2S se prontificou, em um tempo bem rápido, a nos ajudar a construir essa visão. Foi algo em torno de uma semana. 

7- Que aspectos do projeto de implementação da solução de redes foram mais desafiadores e por quê?

Dennis Massarotto Campos: O mais complicado foi o próprio processo de seleção do fornecedor. Esse fornecedor tinha que atender os requisitos técnicos ao mesmo tempo em que oferecia uma solução financeira viável. O maior desafio foi fazer as provas de conceitos, determinar quais eram os indicadores que a gente gostaria que fossem atingidos. Lógico, também teve o desafio de implantação em si. E ainda temos outros desafios pela frente, conforme aumenta o número de linhas de luz e de pesquisa. A expectativa é chegar a uma capacidade de processamento simultâneo de dados na ordem de 200 megabytes.

8 – Quais são os próximos passos do Projeto Sirius dentro do contexto da ciência nacional e mundial?

Dennis Massarotto Campos: O Brasil está no mesmo patamar dos equipamentos mais precisos que a Europa possui. O UVX recebia pesquisas de toda a América Latina e, com o potencial do Sirius, teremos equipes de cientistas do mundo todo. O sonho é que saia daqui algum experimento que venha a ser indicado ou, quem sabe, ganhar um Prêmio Nobel.

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