SD-WAN com inteligência artificial: o piloto automático da gestão de redes

Modelo, que também pode ser aplicado às redes locais, tem como objetivo alcançar uma rede self driving, ou seja, que atua de forma automatizada e inteligente

Quase dois terços das equipes de TI de empresas do mundo todo estão enfrentando cargas de trabalho maiores. Porém, apenas um terço dessas mesmas organizações têm condições de aumentar o efetivo até 2020. Os dados são de estudo da consultoria norte-americana 451 Research e indicam que o desafio está, então, em otimizar a gestão de TI e, assim, fazer mais com menos. Nesse cenário, a combinação da Software-defined WAN (SD-Wan) com ferramentas de inteligência artificial é uma das apostas do futuro para otimizar a atuação do departamento e torná-lo mais estratégico e alinhado à transformação dos negócios.

A adoção da SD-WAN nas empresas está em alta porque ela responde a desafios como complexidade de gerenciamento das redes de acesso à internet, imprevisibilidade de desempenho de aplicativos e vulnerabilidade de dados. Essas e outras dificuldades ocorrem principalmente porque a força de trabalho moderna opera se deslocando por vários ambientes, e as aplicações essenciais para os negócios são executadas via internet em várias nuvens. As arquiteturas tradicionais de WAN não conseguem acompanhar esse ritmo, sua segurança é limitada e a complexidade, muito maior.

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Diante dessa realidade, a SD-WAN se tornou a principal opção das empresas para responder às complexidades do tráfego de dados. A expectativa é que a receita mundial do segmento ultrapasse a marca de US$ 17 bilhões (R$ 64 bilhões, na cotação atual) até 2025, segundo pesquisa da consultoria Global Market Insights.

De acordo com Marco Bartulihe, especialista de enterprise networks da 2S, a SD-WAN promove inteligência à gestão de TI, já que permite definir por qual rede de internet cada aplicação irá trafegar, de acordo com características do tráfego como latência, perda de dados, disposição para conectividade, entre outras. “Na prática, ela escolhe o melhor link para aquele determinado tipo de tráfego. Se quero navegar na internet, não preciso de tanta estabilidade e posso até ter pequenas perdas de dados que são imperceptíveis para o usuário. Mas em uma videoconferência, por exemplo, a rede tem de garantir estabilidade, caso contrário há falhas de vídeo e voz”, explica.

Com a inteligência artificial, que Marco acredita ser o futuro para o qual tanto a rede SD-WAN quanto as redes de área local (LANs) caminham, é possível alcançar aquilo que se chama de rede self driving, ou seja, que faz tudo sozinha. “Hoje, a configuração de qual rede é utilizada para cada tipo de tráfego é feita manualmente pela TI. Imagine a complexidade dessa tarefa no caso de empresas enormes, com filiais espalhadas por todo o Brasil. Com IA, toda essa configuração será automática, pois a ferramenta conhece as características de cada rede e de cada tipo de dado e faz o direcionamento automático”, afirma o especialista. Além disso, no caso da adoção de uma nova aplicação, a IA é capaz de reconhecê-la e incorporá-la mais rapidamente, otimizando o tempo de implementação de soluções e reduzindo custos.

Por ser a borda da empresa para a internet, a SD-WAN exige da TI atenção redobrada para garantir a segurança da informação trafegada por ela. Nesse sentido, há também ganhos no uso da IA, já que a ferramenta é capaz de identificar, por exemplo, as regiões para as quais os dados estão sendo enviados. “Se começa a mandar muito tráfego para um determinado lugar com o qual a empresa não mantém negócios, a IA emite alerta para verificação de um possível malware ou outro tipo de ameaça”, exemplifica Bartulihe.

O modelo ainda garante o compliance com o Padrão de Segurança de Dados para a Indústria de Cartões de Pagamento, ou PCI, no caso de empresas do setor financeiro que precisam cumprir uma série de regras como encriptação, detecção de fragilidades de sistemas, critérios de blindagem, entre outros.

Com todos esses processos operando automaticamente e com a inteligência artificial treinada para tomar decisões, a gestão de TI se volta para cumprir uma das principais exigências da era dos dados: apoiar a transformação digital com foco na melhoria do negócio.

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