Visão de CEO: das decisões do passado às escolhas na retomada pós-pandemia

Presidente da 2S, Renato Carneiro fala sobre o quanto a cultura corporativa pode definir os rumos de uma empresa em períodos de adversidade; veja esse e outros insights na entrevista a seguir


Já são quase sete meses desde o início da pandemia da Covid-19 no Brasil. No início, quando tudo precisou mudar em ritmo de urgência, a sensação coletiva girava em torno de caos e incerteza. Agora, ainda que estejamos longe de conter a crise de saúde global, começamos a arriscar o que será o “novo normal” e, junto com ele, a reestruturar planos de médio a longo prazo, pensando, até, na futura retomada econômica.

São decisões complexas, que desafiam as lideranças corporativas a enxergarem múltiplas variáveis e consequências. Imagine o que se passa pela cabeça de um CEO, neste momento? Pois foi o que perguntamos ao Renato Carneiro, presidente da 2S. Ele ressalta que superar adversidades pode ser mais fácil quando a empresa tem uma cultura forte, e traz o próprio caso da 2S para sugerir os próximos passos da retomada do mercado.

Veja os insights dessa conversa.


Novas fases à frente

“Seis meses depois, a visão é muito menos nebulosa, temos mais clareza do que aconteceu e de quais são as possibilidades pela frente, embora o céu ainda não esteja limpo”.

Para Carneiro, é possível dividir três grandes fases desde o início da pandemia até a retomada:

1) Primeiro impacto e reações imediatistas, a fim de manter a operação ativa;

2) Redefinição, com desenho de um novo portfólio e de estratégias que estejam adequadas às necessidades dos clientes;

3) Reconstrução e novo processo de aceleração.

O estágio atual de boa parte das empresas seria o segundo, diz Carneiro. “Fizemos escolhas certas na primeira fase, como a de manter o nosso time e de ajudar nossos clientes, por isso, estamos em um cenário de menos incertezas. Nesta segunda fase, estamos pensando em novas soluções e estruturando novos modelos de venda”. Essa reflexão passa, entre outros aspectos, pelo entendimento de que o modelo remoto de trabalho, uma vez consolidado, exigirá uma infraestrutura de redes e de colaboração ainda mais robusta – e segura.


O que ficou X o que mudou

“Temos uma cultura muito forte de empresa voltada às pessoas, de equilíbrio de vida pessoal e profissional. Por isso, decidimos não fazer demissões, e sim manter e engajar mais o nosso time. E isso não muda, é o nosso DNA”.

E se manter a essência foi tão importante para que o impacto da crise de saúde fosse o menor possível, essa característica também será fundamental para encarar as mudanças que estão prestes a serem colocadas em prática.

“No caso da 2S, as mudanças não serão drásticas. Como estamos revitalizando nosso portfólio e nossos modelos de negócios, um exemplo de mudança que vem pela frente é o preparo: teremos que fazer novos treinamentos de vendas, de entregas e da maneira que prestamos os serviços”.


Visão do mercado de tecnologia

Para Carneiro, aqueles que focaram no curto prazo estão sofrendo mais nesse processo do que aqueles que se apegaram a uma cultura forte e fizeram escolhas que a valorizassem.

“Acho que o mercado de tecnologia é muito abençoado, pois pôde ajudar outras empresas a se manterem, a se habilitarem para a nova realidade e continuarem crescendo na pandemia. Nosso mercado não sofreu um décimo do que passaram outros segmentos.”.


Futuro: planejamento e retomada

“Este ano já está resolvido, vamos continuar digitalizando nossos clientes e executando o plano que fizemos no começo da pandemia. Para 2021, é muito importante entender o que o cliente vai buscar, considerado duas frentes que, geralmente, são pontuadas pelas principais consultorias: aquilo que o cliente precisa comprar (e é isso que vai movimentar o ano) e aquilo que ele gostaria de ter, mas não é prioridade”, explica Carneiro.


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